WING CHUN

 

 

 

     INTRODUÇÃOWing Chun, escrito também Ving Tsun, Wing Tsun, Win Tzun ou Ving Chun; dependendo da escola ou organização que o ensine. A popularização da denominação “Wing Chun”, como romanização do original chinês, é atribuída a Bruce Lee. Em 1967, a pedido do Patriara Yip Man, seus discípulos fundaram a "Hong Kong Ving Tsun Athletic Association", sendo Ving Tsun a transliteração oficial, uma vez que a sigla em inglês W.C. (banheiro) não era confortável ao estilo. A expressão VING TSUN pode ser traduzida como “Cantar à Primavera”. No entanto, etimologicamente, o significado de Ving pode ser expresso por “anúncio do perpétuo”, enquanto "Chun"  pode representar “a superação das dificuldades iniciais para alcançar a prosperidade, sob o efeito da luz”. Desta maneira, por extensão de sentido, o nome VING TSUN conduz ao conceito de “Aprendizagem Proativa”. Conhecido na China como “Ving Tsun Kuen”, que significa literalmene “Os Punhos de Ving Tsun”.

 


Templo budista de Shaolin do Sul - Conta-se que o templo foi várias vezes destruído invadido e recostruído.

 

     Segundo a tradição oral suas origens remontam a Siu Lam Jee, o famoso templo budista de Shaolin do Sul, conhecido por seus monges lutadores e por ter sido o berço da filosofia Chan (Zen, em japonês), e é relativamente novo, em comparação a outras artes marciais chinesas. Teve sua origem durante a dinastia Ching (1644/1902).

 

     Em regra geral, as artes marciais chinesas do sul confiam na maior parte em suas técnicas com as mãos em ataques bem próximos (ao contrário dos estilos do norte que focalizam mais em técnicas de média e longa distância). Os lutadores dos estilos do sul lutavam freqüentemente o cara a cara com seus oponentes, por isso, tiveram que criar uma maneira simples e prática de distribuir golpes curtos e rápidos.

 

     Por ser considerado um segredo militar, o Wing Chun era treinado fora do templo Shaolin. Guardando os segredos da nova ciência marcial, atualmente com 400 anos. Há 1500 anos, o templo estava em guerra com a cruel dinastia Ching, e para combater mais rapidamente os inimigos, foi desenvolvido o Ving Tsun - um segredo militar que treinava os soldados para guerrear com as mesmas habilidades dos soldados do templo, mas em apenas 3 a 4 anos. Por ser muito técnico, veloz e objetivo, acabou se tornando umas das artes de defesa pessoal mais eficientes, sendo assim utilizado para treinar as principais forças de segurança do mundo. É uma arte marcial de estilo mais suave, mas hoje em dia funde também as técnicas mais pesadas.

 

     Aprendemos a utilizar não só os punhos, como também os cotovelos, ombros, pés, joelhos, torções, quedas, desenquilibrantes, além de seguir diversas regras em que o conjunto faz com que o praticante tenha facilidade para se defender sem utilizar força física e/ou velocidade. A luta permite até dedos nos olhos, cotoveladas no rosto e chutes no baixo ventre do adversário para ganhar vantagem. Pratica a proteção e o ataque aos principais pontos de pressão, a economia de movimentos, e o princípio simultâneo ou combinado de ataque e defesa.

 

     Enquanto outras artes marciais preocupam-se acima de tudo anular violentamente a força do agressor para depois nocauteá-lo, um princípio básico do Ving Tsun é o de não desperdiçar a força do ataque, mas sim utilizá-la com uma finalidade muito mais prática: a neutralização do próprio adversário. Chutes altos não são utilizados ou com giros de corpo e quebras de blocos de madeira e/ou tijolos.

 

 

     Com o desenvolvimento de muitas linhagens diferentes de Wing Chun através dos séculos (mais de 10 são conhecidas e documentadas), Wing Chun seria apenas um nome genérico para um sistema com muitas linhagens – não seria diferente do “Karate”, um termo genérico para descrever as várias artes japonesas – variadas, mas similares.

 

     O sistema é dividido em seis níveis, sendo que os quatro primeiros são de mãos livres e os dois últimos são com armas tradicionais chinesas (bastão longo e o facão borboleta). No quarto nível treinamos com um equipamento especial, conhecido como boneco de madeira, que é utilizado para treinar a postura do praticante e outras técnicas conhecidas do Ving Tsun: o soco de uma polegada, os exercícios para desenvolver o reflexo visual e o reflexo tátil (em que o praticante aprende a lutar com os olhos fechados).

 

 

     A flor de ameixeira é tida não só como o símbolo do sistema assim como de toda a China devido primeiramente ás suas cinco pétalas, que simbolizam os cinco povos que formaram a china (Han, Tibetanos, Mongóis, Mulçumanos e Hindus ), a sua cor avermelhada remete á tempos antigos onde era atribuída aos heróis lendários chineses, verdadeiros espadachins errantes que vagavam pela china lutando contra a tirania e as invasões bárbaras. Notou-se que a flor de ameixeira desabrochava no rigor do inverno chinês (diga-se de passagem, onde se faz um frio extenuante e neva em demasia)... Agindo como um aviso de que a primavera está chegando, sendo essa a época do ano onde o reino atinge o auge da fertilidade e felicidade (por isso o termo "eterna primavera" foi utilizado pelos revolucionários anti-quing, que procuraram reestabelecer a felicidade plena que foi perdida devido aos seus algozes).

 

     Vejamos algumas características do WT:

 

- Passos curtos. Movimentos pequenos. Posições altas.

- Ataque em rajada continua.

- Aplica os princípios de cessão por meio de desenvolver a sensibilidade.

- Economia de movimentos.

- Defesa e ataques em simultâneos.

 

 

     HISTÓRIA: SEGUNDO UMA LENDA TRADICIONALInfelizmente não existe documentação que possa estabelecer uma real história do estilo.

 

     Um dos mitos mais populares diz que suas idéias básicas foram elaboradas pela monja budista do templo Siu Lun (Shaolin), Ng Mui.

 

      Devemos levar em conta que durante a Dinastia Ming (1368-1644) o Kung fu era praticado no templo Siu Lum no Sul da China, primeiramente como forma de exercício físico. Com a usurpação pelos manchus e o estabelecimento da Dinastia Ching, muitos patriotas de Ming buscaram refúgio de uma perseguição escondendo-se no templo Siu Lum, obtendo a ajuda dos monjes, que eram simpatizantes pela causa dos rebeldes.

 

      Alguns monges, incluindo Ng Mui, eram na realidade rebeldes contra o poder da época e sendo assim, o templo Siu Lum constituía-se em uma ameaça ao soberano Ching.

 

     Infiltrado dentro do templo, Ma Ning Yee, um traidor entre os monjes, forneceu informações ao imperador Ching, que formularia então um ataque ao templo, com várias tropas sendo enviadas com a missão de destruir o templo e exterminar os rebeldes.

 

     Com a destruição do templo pelo imperador da dinastia Ching, por volta de 1734, muitos monjes morreram na tentativa de fuga, porém Ng Mui e mais quatro famosos lutadores, Pak Mei, Fung Do Tak, Mui Hin e Chi Shin, combateram com heroísmo e conseguiram escapar, cada qual rumando para diferentes localidades da China no intento de continuar a oposição contra a soberania vigente.

 

 

     Ng Mui viajou no anonimato, trabalhou como simples membro de uma companhia de ópera chinesa até chegar ao mosteiro Tai Lung, onde se fixou. Nesse mosteiro continuou sua prática budista e deu início à criação de um novo sistema de arte marcial baseado em movimentos circulares pequenos e movimentos em linha reta, levando em conta a formação óssea, muscular, ligamentos e tendões; somando-se a um estado do corpo relaxado, que possibilita estar mais sensível e apto a movimentos explosivos e do aproveitamento da força do adversário. Ng Mui incorporou características da garça e da serpente, tais como a agressividade; a percepção do espaço; a maneira precisa e o emboscar para a captura da presa.

 

 

     Durante esse período, conheceu uma jovem chamada Yim Wing Chun que havia aprendido algumas artes marciais Siu Lum, por ter seu pai treinado num templo próximo a Cantão, local que tivera que deixar devido a problemas com o império de Ching. Na cidade de Tai Lung, Yim Wing Chun era admirada por sua incomum beleza e essa beleza atraíra atenção de um tirânico proprietário de terras e também artista marcial chamado Wong, que exigiu que Wing Chun se casasse com ele. A jovem, já comprometida, recusou-se.

 

     Wong agrediu o pai da moça, ferindo-o gravemente, ameaçando levá-la à força.
Foi então que Yim Wing Chun buscou auxílio junto a Ng Mui, que decidiu ensinar-lhe o sistema de luta que havia criado.

 

     Motivada pelo desejo de enfrentar Wong e vingar o pai, Yim Wing Chun passou a treinar sem descanso. No dia em que Wong apareceu para levá-la, Yim Wing Chun o desafiou para uma luta. Wong lhe disse para dar o primeiro ataque. A jovem lutadora sem ficar intimidada desferiu então um único soco no peito de Wong e este caiu por terra, ferido gravemente; vindo a falecer.

 

 

     Yim Wing Chun continuou a treinar com Ng Mui até que esta decidiu viajar novamente. Depois que Ng Mui partiu, Yim Wing Chum revisou as técnicas aprendidas e codificou-as. Durante esse tempo, Yim Wing Chun também aprendera a usar as facas borboletas (Pa Tzan do), porém o uso destas facas já existentes e utilizadas no estilo de Shao Lim sofreu adaptações no Wing Chun, provavelmente com associações ao uso de um tio de Yim Wing Chun, o qual era açougueiro, e do qual utilizava longas e largas facas. Yim Wing Chun incorporou os movimentos de pulso para executar os ataques de corte com a lateral da faca.

 

     Mais tarde, Yim Wing Chun casou-se com quem estava comprometida, Leung Bok Chau.

 

     Leung Bok Chau também praticava artes marciais, mas achou que a habilidade da mulher era muito superior aos estilos conhecidos e quis praticar o sistema dando-lhe o nome de “Wing Chun”, em homenagem à esposa.

 

     Leung Bok Chau tinha um amigo, Wong Wah Bo, que era ator numa companhia de ópera chinesa e a quem ensinou o sistema Wing Chun incluindo o aprendizado das facas borboletas. Certo dia, quando Wong Wah Bo praticava com as facas, um empregado da companhia de ópera chamado Leung Yee Tai passou a observá-lo atentamente. Leung Tai era um especialista no uso do bastão longo (instrumento que era utilizado para empurrar os juncos que transportavam os atores e também manipulado como terrível arma), Leung Yee Tai aprendera técnicas de bastão com um dos monjes que houvera escapado do templo Shao Lin, Chi Shin, um perito nas técnicas de bastão.

 

     Leung Yee Tai indagou a Wong Wah Bo se este aceitaria ter com ele uma luta de caráter amistoso para verificarem quem era melhor com suas respectivas armas. Depois de trocarem técnicas, quando ambos puderam apreciar a grande habilidade que cada qual possuía, optaram por um intercâmbio de técnicas. A partir de então Wong Wah Bo incorporou o luk dim bun kwan (bastão longo) ao sistema Wing Chun. Completava-se então o sistema Wing Chun, fazendo parte o aprendizado das facas e do bastão.

 

 

     O MITO DE NG MUI E A VERDADE SOBRE O VING TSUN O mito de Ng Mui foicriado para proteger as identidades dos criadores e perpetuadores do sistema Ving Tsun. Uma cortina de fumaça foi tecida na forma de uma lenda...

 

     A história recente pode testificar, o Wing Chun foi desenvolvido cerca de 400 anos atrás em uma época de instabilidade civil. Entre 1644 e 1911, os manchus governaram a China, onde 10% da população (os manchus) dominavam os outros 90% (os Han, chineses). Para manter o controle sobre os Han, os manchus governavam com punho de ferro. A agressão e a opressão foram a pedra angular da Dinastia e aos Han foram proibidos o uso de armas ou treinamento de artes marciais. Assim, na tentativa de acabar com essa opressão, atividades rebeldes foram instigadas por mestres de artes marciais que permaneciam ocultos.

 


Guerreiros manchus

 

     Essas atividades foram desenvolvidas rapidamente nos monastérios budistas, que até então não sofriam qualquer tipo de ameaça por parte dos manchus devido ao respeito à cultura e à religião Budista. Assim, esses santuários Shaolin (Siu Lam) eram os lugares ideais para que os renegados se ocultassem – eles simplesmente raspavam suas cabeças e vestiam os hábitos monásticos dos discípulos do Templo. Durante o dia, os rebeldes se protegiam como monges, cantando em coros pelo Templo. Mas à noite, eles se reuniam para formular seus planos para expulsar os manchus.

 

     Especula-se que dentro do templo havia uma sala chamada Ving Tsun, onde, provavelmente a arte era praticada, daí seu o nome.

 

     Há aqueles que insistem na posição de que os santuários Shaolin não possuíam inclinação política. Eles tentam enfatizar que os ensinos Budistas não permitiriam o suporte a rebeldes e sociedades secretas. Essa é uma posição sentimental e não baseada nos fatos históricos. Líderes religiosos através da história, tanto no ocidente quanto no mundo oriental, exerceram influências políticas e governamentais desde o início dos tempos. As igrejas sempre abrigaram vítimas que sofriam perseguição de autoridades opressivas. No caso da China, sérios precedentes para esse comportamento de parte dos monastérios já haviam sido estabelecidos cerca de 400 anos antes. Como verificado pelas pesquisas do Ving Tsun Museum, Chu Yun Chueng (Jyu Yuhn Jueng), o homem que liderou os chineses na revolta contra os mongóis e estabeleceu a Dinastia Ming foi ele mesmo um monge Budista.

 

     Quando se encontravam, os revolucionários identificavam-se entre os outros com um secreto sinal de mãos que depois viria a se tornar um cumprimento formal de encontro ou cortesia do Wing Chun. De fato, a tradição do cumprimento de encontro ou cortesia é comum para muitos estilos de Kung Fu de hoje em dia com dois significados: O primeiro significa o reconhecimento dos estilos de origem Shaolin – a mão esquerda simbolizando a união do Dragão Verde e o Tigre Branco (mão direita), os animais lutadores dos monges Shaolin.

 

 

 

     Pelo final do século XVII os manchus se tornaram conscientes sobre as atividades rebeldes do Templo Siu Lam e seu contínuo desenvolvimento de estilos de luta. Assim, eles enviaram espiões (muitos de seus líderes militares) para se infiltrar aos rebeldes e aprender os tradicionais sistemas de punho do Sul como eram ensinados no Templo. Os mestres rebeldes do Kung Fu, percebendo isso, desenvolveram um novo sistema que servia a dois propósitos: primeiro, deveria ser aprendido rápida e eficientemente; segundo deveria ser devastadoramente eficiente contra os sistemas de luta que já existiam e que os manchus haviam aprendido e ensinavam a seus soldados. Assim, nasceu o Ving Tsun.

 

     Os manchus decidiram eliminar a fonte de toda a atividade rebelde simplesmente exterminando os monges Siu Lam. Assim, o Templo Siu Lam do Sul foi incendiado e destruído.

 

     Extensivas pesquisas realizadas pelo Ving Tsun Museum apontam à geração de herdeiros após a queimada do Templo Siu Lam do Sul. Dentre esses havia um cavalheiro chamado Cheung Ng (referido também como Taan Sau Ng em outros textos). Dessa geração de herdeiros, Cheung Ng é um dos que se pode provar sua existência histórica. Após estabelecer a Associação da Sociedade da Bela Flor (nome público da Sociedade da Flor Vermelha e precursora da Ópera Vermelha) providenciando o treinamento de Wing Chun às sociedades secretas, Cheung Ng foi para o anonimato, desaparecendo dos olhos do público para escapar à perseguição da Dinastia Qing.

 

*****

 

     CONTESTANDO O MITO: Primeiramente, com exceção da lenda, não há outra evidência de que Ng Mui tenha existido em seu âmbito como grã-mestra ou fundadora de um sistema de Kung Fu.

 

     Em segundo lugar, seria proibida a presença de uma monja, mesmo que só para treinar, em um ambiente de celibato monástico como eram os Mosteiros Shaolin.

 

     Terceira, e talvez a mais importante, depois de escapar de uma situação de vida e morte sendo uma revolucionária, não faz sentido que Ng Mui ensinasse um sistema de luta avançadíssimo a uma garota local com problemas românticos e sem nenhuma conexão com a revolução. Nesse período da história Chinesa, a Dinastia Qing determinou uma forma especial de punição para traidores e rebeldes. Depois de confessar seus crimes o culpado seria executado. Posteriormente, os oficiais Qing caçariam os membros de sua família até a nona geração e os executariam também como traidores. Logo, ensinar uma arte marcial a Yim Wing Chun poria a vida Ng Mui em grande risco.

 

     Observando Yim Wing Chun como elemento de uma lenda, consideramos mais uma vez a importância das sociedades secretas rebeldes. “Yim” pode ser traduzido como “proibido” ou “secreto”. O termo “Ving Tsun” referia-se a uma localização geográfica – O Siu Lam Wing Chun Tong (Salão da Eterna Primavera da Jovem Floresta), onde provavelmente os rebeldes praticavam artes marciais e orquestravam suas atividades sediciosas. O uso do termo “Primavera” simbolizava o renascimento da Dinastia Ming e “Eterna” referia-se ao restabelecimento da dinastia que duraria para sempre. Depois da destruição do Templo Shaolin do Sul e seu Ving Tsun Tong, os sobreviventes mudaram o caractere “Ving” de “Eterna” para “Louvar”. O termo “Louvar” referia-se ao fato que os revolucionários teriam de espalhar a palavra sobre a revolução depois da destruição de sua base. Assim, “Yim Ving Tsun” era na verdade um código, significando (proteger) a arte secreta do Salão do Ving Tsun.

 

     Sabemos que muitos (não os cinco da lenda) monges e rebeldes escaparam ao massacre manchu e que, para auxiliar no sigilo do sistema, o material histórico era passado diretamente do mestre ao discípulo.

 

     Historicamente, sabemos que a atividade rebelde floresceu na Companhia de Ópera do Barco Vermelho. A Ópera Vermelha era famosa por seus talentosos artistas de drama, expertos em Kung Fu e ginástica, o que permitia a formação de sua própria sociedade secreta para expulsar a Dinastia Manchu. A companhia provia o refúgio ideal para os rebeldes se ocultarem como artistas usando elaborados trajes e maquiagem, lhes proporcionando um excelente, natural e plausível disfarce. Os membros da Ópera adotavam e eram conhecidos por seus “nomes artísticos”, o que servia para ocultar suas identidades secretas.

 

 

     YIP MAN, O PATRIARCA MODERNO - Sifu Yip Man (1893-1972) = Ele nasceu em uma rica e tradicional família de Futsan, China. Aos 9 anos de idade, Yip Man começava a treinar Ving Tsun sob a tutela de Chan Wah Shun, pagando a seu mestre três moedas de prata, o que significava um alto valor para a época. A partir de 1907, porém, começaria a atribulada vida de Yip Man, que com 16 anos de idade, presenciou um desafio de Chi Gung por uma mulher que se propunha a receber um ataque na região da cintura (dan tin) e nada sentir. Yip Man apresentou-se como um voluntário e desferiu um golpe (gum jeong) o qual acabou resultando no falecimento da mulher.

 

Yip Man

 

     Devido ao incidente, a família de Yip Man foi forçada a tirá-lo de Fatshan e mandá-lo para o Japão. Durante a viagem Yip Man já encontrara problemas e depois em terra, viu-se obrigado a se defender, primeiro em um confronto com três indivíduos no cais de Kobe, qual resultaria num segundo combate com um oficial da polícia. Após Yip Man lutar e vencer os três marginais, estes armaram com o oficial da polícia uma maneira de pegar Yip Man. Nem a imagem de um oficial indispôs ao combate; mesmo vencendo, Yip Man foi preso e para ser solto, porém deportado, teve que assumir verbalmente a derrota perante o oficial. Deve-se levar em conta que havia diferenças políticas e culturais entre China e Japão e, portanto não eram amistosas as relações entre os dois países, configuradas mais tarde na Segunda Guerra Mundial.

 

     Deportado para a China, Yip Man estabeleceu-se em Hong Kong, reiniciando seus estudos em um colégio da região, chamado St. Stephen’s College. Não tardou, porém e logo ficou famoso na escola por meter-se sempre em brigas, mesmo contra oponentes maiores e mais fortes. Certa ocasião encontrava-se em um parque fazendo suas técnicas, as quais foram presenciadas por um homem, este achando muito parecidas com as de um amigo chamado Leung Bik. Esse homem contou ao amigo o que vira e Leung Bik (um senhor de seus 50 anos de idade) convidou-o para uma luta. Yip Man aceitou imediatamente e procurou-o para desafiá-lo. Este o olhou de alto a baixo e sorriu, perguntando se ele havia treinado com o venerável Mestre Chan Wah Shun, de Fatshan e se ele já havia aprendido o Chum-Kiu (segunda forma do estilo Ving Tsun).

 

     Yip Man não ouviu o que o homem dizia, pois teria percebido que apenas um conhecedor do estilo poderia saber esses detalhes. Vendo que não havia outra alternativa, o homem disse que Yip Man poderia atacar como quisesse, que ele tentaria não machucá-lo.

 

     Isso enfureceu o adolescente, que atacou diversas vezes. O homem apenas esquivava seus golpes e o jogava ao chão; uma surpresa para o então jovem e arrogante Yip Man que, convencido de sua habilidade, não conseguia imaginar que Leung Bik, já de certa idade, pudesse superá-lo,  até que reconheceu sua derrota.

 

     Leung Bik convidou Yip Man para praticar com ele, o que durou cerca de três anos, durante os quais aprendeu teorias e aplicações que lhe faltavam.

 

     Em 1913, aos 24 anos, Yip Man retornava a Fatshan. De volta à sua terra natal, onde encontraria seus "Si-Hings" (alunos mais antigos, da época de treino sob a tutela de Chan Wah Shun); foi acusado de desertor e de ter aprendido outro estilo de Kung Fu. Levou muito tempo para convencer seus colegas do encontro com Mestre Leung. Ng Chang So afirmou a Yip Man de que as técnicas apresentadas eram Ving Tsun, ainda que aplicadas de forma diferente (vale lembrar que devido à morte de Chan Wah Shun supõe-se tenha ficado incompleto o aprendizado de seus alunos, pressuposto ser o conhecimento de Chan Wah Shun o mesmo de Leung Bik).

 

     Existem muitas estórias e anedotas principalmente sobre os feitos de Yip Man em Fatshan. Conta-se que ele desmontou, rápido como um raio, a câmara de uma pistola apontada para ele por um soldado perverso, ou ainda que participou de muitos duelos em que a cada vez ele subjulgava o desafiante em menor tempo.

 

     Nessa fase de sua vida, constam inúmeros relatos de lutas que teria tido, entre as quais, uma contra Tsu Ping, ladrão com fama de cruel e ‘expert’ em artes marciais. Preso por Yip Man, na delegacia, Ping passou a provocar seu captor dizendo que não reagira como deveria alegando ter sido preso por uma pessoa de idade. Yip Man propôs uma luta, e se Ping o vencesse estaria livre. De porte físico bem maior que Yip Man, Ping atacou com uma seqüência de socos dos quais Yip Man defendeu-se se deslocando e no soco seguinte controlando o braço do agressor, desferiu uma violenta joelhada a qual levou Ping ao chão nocauteado.

 

     Yip Man casou-se e teve dois filhos, Yip Chun (nascido em 1925) e Yip Jing. Por volta de 1939 serviu o exército na guerra contra o Japão.

 

     Durante a Segunda Guerra Mundial, quando grande parte da China estava sob o controle militar japonês, a rica fazenda de sua família faliu e ele começou a passar por dificuldades. Com o final da Segunda Grande Guerra Mundial, foi morar em Nanhoi, onde se tornou capitão da polícia e passou a trabalhar como detetive policial.

 

     Em 1949, com a revolução comunista na China, Yip Man viu-se novamente obrigado a fugir, indo para a cidade de Hong Kong, tendo que deixar a família em Nanhoi. Em estado de pobreza absoluta, devido à grande dificuldade de empregos na época, foi recolhido e ajudado por pessoas da associação dos garçons de Hong Kong. Curiosamente, havia entre eles muitos praticantes de kung fu, como Leung Sheung que mais tarde viria a ser seu primeiro discípulo. No início os membros não prestaram muita atenção em Yip Man, nem tiveram respeito pelo que ele estava ensinando, pois o kung fu Wing Tsun diferente dos "longas pontes e amplas posturas" de outros estilo de kung fu e por isso não é tão atraente a primeira vista. Assim como seu mestre, Yip Man não queria exibir suas habilidades, exceto quando fazia parte de exibições públicas. Esta é a razão pela qual o Wing Tsun não era tão conhecido naquela época.

 

     A miséria e a falta de trabalho foram provavelmente os fatos que obrigaram Yip Man a ensinar Ving Tsun Kung Fu profissionalmente, já que pensava como a criadora do estilo, Ng Mui, que o Wing Chun não era mercadoria de finalidades comerciais, além da necessidade de supervisão direta professor/aluno e da maior eficiência garantida para o estilo se um menor número de pessoas o conhecesse.

 

     Após admitir Leung Sheung como aluno, seguiu-se Lok Yiu, Tsui Sheung Tin, e tantos outros, recebendo treinamento direto em teoria e prática com Yip Man. O sucesso de seus estudantes nas brigas de rua e nos pequenos torneios informais entre praticantes de Kung Fu, chamados Gong Sao, tornou o Ving Tsun, até então um estilo pouco conhecido, famoso.

 

     Em 1968, funda a Hong Kong Ving Tsun Athletic Association, entidade que ainda hoje representa aquele estilo em Hong Kong e foi o berço de todos os Grandes Mestres de Ving Tsun da atualidade. A fama de Yip Man e sua prática se espalharam rapida e amplamente e atraiu a admiração de um numero cada vez maior de seguidores, particularmente de força policial de Hong Kong.

 

     Seus alunos espalharam o Ving Tsun por todo o mundo, após um de seus principais discípulos, Bruce Lee, ter-se tornado um ícone do cinema mundial.

 

     Entre 1970 e 1971, Bruce Lee, um dos discípulos de Yip Man, se tornou um famoso artista de filmes de Kung Fu. Apensar de Bruce ser mais conhecido pelo seu Jeet-Kune-Do, ele é conhecido também por muitos como discípulo de Yip Man por um certo tempo. Yip Man, por outro lado nunca se sentiu orgulhoso de ter um aluno superstar. Sempre que alguém o elogiava por ter sido professor do Bruce Lee, ele simplesmente respondia com um sorriso.Mas, verdade seja dita, o Ving Tsun não seria o que é se não fosse Bruce Lee...

 

     Porém Yip Man não ministrava mais aulas para todos, apenas a seus alunos mais antigos ou em aulas particulares as quais apenas instruía, não chegando a treino de parceiro. Em sua academia os alunos mais antigos é que ensinavam, divididos em grupos de alunos para cada instrutor, com Yip Man apenas inspecionando os instrutores.

 

     Em maio de 1970, quando as turmas e aulas estavam firmemente estabelecidas, ele decidiu se aposentar, para aproveitar uma vida calma, depois de passar todas as obrigações de sua academia para seu aluno preferido, Leung Ting.

 

     Yip Man viria a falecer em 1 de dezembro de 1972, vítima de cancro na garganta. É lembrado com muito respeito, por aqueles que têm amor na arte do Ving Tsun, como "O GRANDE MESTRE". É considerado o Patriarca do estilo por ter sido em recente época o único ramo da genealogia do estilo.

 

     A morte de Yip Man abateu fortemente todos aqueles que puderam conhecê-lo e aprender com ele, e até hoje seu túmulo é visitado por praticantes de todo o mundo, havendo na China um museu em sua homenagem.

 

     Não existe uma listagem oficial de linhagens/genealogias do Ving Tsun. O estilo é segmentado e por isso não possui uma associação ou federação centralizadora. De oficial existe apenas uma referência escrita pelo próprio Yip Man onde colocou todos os nomes dos mestres, desde a mitica fundadora do estilo Ng Mui até ele próprio. Por esse motivo, a qualidade de um mestre ou professor de Ving Tsun normalmente é ditada pela sua família e/ou genealogia.Yip Man foi o 8º de sua linhagem de sucessores.

 

 

     TREINAMENTO DE WING CHUN - O Wing Chun ensina que existem cinco formas de derrotar o inimigo: travar articulações, chutes, golpes, bloqueios e o uso de armas.

 

     FORMAS - São seqüências ordenadas de movimentos que servem para dar coordenação corporal. Assim como no ensino fundamental (primário) precisa-se aprender exercícios motores com a mão (serra-serra, ondinha, bolinha, etc) antes de iniciar o trabalho da “escrita”, no Wing Chun você precisa aprender exercícios motores com o corpo antes de iniciar o trabalho das técnicas de luta.

 

Descrição básica da cada nível ou forma:

1.       Siu Lin Tao (Pequena Idéia Inicial)

2.     Chum Kiu (Afundando a Ponte)

3.     Biu Je (Dedos que Furam)

4.     Muk Yam Jong (Poste do Homem de Madeira)

5.     Luk Dim Boon Kwan (Bastão de Seis Pontos e Meio) *

6.     Baat Jam Dao (Faca de Oito Cortes) *

 

 

     1º Nível  = É a primeira forma a ser ensinada, que pode se traduzir como “pequena idéia ou imaginação”. Siu (pequeno) Nin (contemplação) Tau (cabeça). Todos os princípios do Wing Chun estão nesta forma. Ela ensina o estudante o esforço e a liberação da energia através das mãos, triangulação e ângulos da postura corporal, enraizamento e distribuição centralizada do peso do corpo e os fundamentos das técnicas: Pak Sao; Tan Sao; Bong Sao; Jet Sao; Tang Chi Sao; Seung Chi Sao.

 

     Sil Lim Tao inicia pelo lado esquerdo e com a mão esquerda primeiro. Isto chama atenção para o lado esquerdo, uma vez que a maioria das pessoas é destra. Começar pelo lado esquerdo tornou-se prioridade para o Wing Chun. Treinar apropriadamente o lado esquerdo torna-se um “ponto chave” no desenvolvimento do Sistema Completo. Entretanto, aqueles que favorecem apenas um lado terão problemas em manter-se estruturados com as teorias do Wing Chun.

 

     A primeira base aprendida é denominada Yi Ji Kim Yeung Ma, adaptada ao treinamento de socos, defesa e base de combate. A postura Yi Ji Kim Yeung Ma é utilizada, entre outras coisas, para se fortalecer a base, buscando o apoio do centro de gravidade aumentado o equilíbrio e a consciência corporal. É apenas um fundamento; não se usa em combate. É uma postura firme o suficiente para que o praticante se acostume com a idéia da linha central. Tanto com a idéia de defender a sua, quanto a de atacar a do adversário. Pode perceber que a postura limita seus movimentos, e a idéia é justamente essa. Acostumar o praticante que o caminho mais curto é uma linha reta, de centro a centro. Dela se desenvolvem todos os fundamentos do Ving Tsun.

 

 

     Esse nível é representado pela cor azul, o que lembra a água. Ele é um kuen zeoi para geração de energia e deve ser praticado sem força bruta. Têm como objetivo principal fazer com que as pessoas trabalhem com o ego, e aos poucos abrir mão das coisas, e praticando a caridade. Nesse nível aprende-se a ter uma base sólida, absorver energia do céu e da terra, respirar corretamente, ocupar a linha central, como usar o braço de forma independente e como proteger o centro do corpo. Ensina também a não se preocupar com os problemas da vida, apenas a relaxar e a absorver conhecimento.

 

     2º Nível  – Esta segunda forma se traduz como “atravessando a ponte”. Complementa a primeira forma e exige mais força física e potência interna. A cor que simboliza esse nível é a verde, o que lembra madeira, germinação e crescimento, Chum Kiu é um kuen zeoi mais movimentado com andadas, giros e chutes. Deve ser praticado com energia, com vigor; treina a base e a cintura; o braço ponte é curto e o passo restrito. O chute é introduzido no Wing Chun, mas como algo defensivo. Nessa fase é ensinado como controlar braços e pernas para acertar os pontos vitais no centro do inimigo, para isso, é proposto exercícios para deixar a energia corporal ainda mais dinâmicas, como, por exemplo, movimentando-se em volta do oponente. Outro ensinamento desse nível é olhar para o inimigo de outros ângulos, procurando sempre o ponto fraco. Na prática desenvolve o equilíbrio dinâmico do corpo do estudante, aprendendo como sincronizar as mãos e as pernas. O conceito do Chun Kiu ensina o estudante a aprender a fechar as guardas durante uma luta. Com a prática constante da segunda forma o estudante de Wing Chun aprende como equilibrar a energia vital denominada Chi (Hei em cantonês, e Qi em mandarim). Conteúdos associados: Seung Chi Sao; Quan Sao; Mah Poh; Toi Mah.

 

  • Virar a base com um movimento circular permitirá uma superior geração de poder.

 

  • Quando o braço ponte do oponente entrar pelo seu braço ponte, use a mão que escapa para contornar a situação.

 

  • Passe pela ponte de chegada do oponente por cima, sem parar quando o movimento que se opõe tiver começado.

 

  • Use as três juntas do braço para prevenir a entrada da ponte do oponente; abafe a ponte do oponente para restringir seus movimentos.

 

  • A mão ponte segue o movimento do corpo do oponente; quando as mãos não conseguem prevalecer, use a posição do corpo pra salvar a situação.

 

  • Usando o poder de curta distancia para abafar a ponte do oponente,as três juntas são bem controladas

 

 

 

     3º Nível  Esta terceira forma se traduz como “dedos penetrantes” ou ainda "dedos voadores". Seus movimentos mostram as características da serpente e da garça. Antigamente o Biu Gee era considerado secreto, permanecendo apenas entre os discípulos mais próximos do mestre. A parte mais importante desta forma é aprender a concentrar toda a sua energia em uma única batida usando a combinação do cotovelo-dedos das mão golpeando com o corpo em rotação. A cor que representa esse nível é o vermelho, que simboliza fogo em expansão, o momento de tomar decisões na vida. Na parte física, os pontos da acupuntura são usados como alvo, e os praticantes aprendem como gerar grande força em um espaço curto.

 

     Os três primeiros níveis são os pilares dessa arte marcial chinesa e pode ser resumida em 1º acumular, 2º colocar em movimento e 3º liberar energia. A partir dessas três etapas, o aluno já está pronto para tornar-se professor. Com as três formas (SIU NIM TAU, ZAM KIU e BIU ZI), é possível ao aluno-praticante compor alternativas diversas de ataque e defesa. A posição do lutador é sempre frente a frente. Os ataques são rápidos e precisos; sempre desferidos a curta distância, com potência e explosão. Conteúdos associados: Seung Chi Sao; Chi Gerk; Sau Gerk Seung Siu.

 

 

     Os próximos níveis – 4º, 5º e 6º - são representados pela cor preta, que significa que o praticante já está pronto para a ação, e também que ele consegue agir naturalmente no escuro como se estivesse enxergando tudo.

 

 

     4º Nível  - Muk Jong (estrutura de madeira): Nesse nível é introduzido o uso do boneco de madeira - como é conhecido no Brasil - que serve como um corretor de ângulos, e das técnicas aprendidas anteriormente. A prática constante desenvolve força, energia e potência nos braços, punhos e pernas.

 

     Um dos métodos definitivos de treinamento no Wing Chun é a prática com o boneco de madeira, popularizado em muitos filmes. O boneco de madeira serve como um corretor de ângulos.

 

     Durante essa fase acontecem treinos de percepção (com os olhos vendados), e treinamento para aprimorar o uso do chute na batalha. É durante esse nível também que se ensina a controlar a energia interior; e só depois desse ensinamento, que segredos como o do lendário toque da morte são passados para frente. Conteúdos associados: Seung Chi Sao; Chi Gerk; Cheung Kiu Sao; Lat Sao; Lei Tei Chi Sao; Leung Bi Mok Chi Sao; Mai San Jong; Muk Yan Jong; Dar Hung Jong; Gerk Jong.

 

 

MUK YAN JONG

 

O Muk Yan Jong (= boneco de madeira; Muk" significa 'madeira'; "Yan" quer dizer 'homem'; e "Jong" pode ser traduzido como 'pilar') é um dos muitos dispositivos de treinamento diferentes usados por praticantes de Artes Marciais chinesas. A história dos vestígios do Muk Yan Jong remonta do próprio Templo Shaolin, aproximadamente 1.400 a.C. (data exata desconhecida). Dependendo de qual sistema de Kung Fu, o boneco de madeira pode variar em aparência, sendo que para cada estilo tem um método de treinamento específico.

 

 

O Muk Yan Jong do estilo Wing Chun – consiste de um cilindro de madeira, apoiado por duas vigas atravessadas que o suspende do solo. Seus dois braços são estendidos e estão na altura dos ombros como um sonâmbulo caminhando; Outro está na altura da cintura e, uma perna estendida para fora com uma curva semelhante um joelho flexionado.

 

O Muk Jong, principalmente, é usado praticando-se uma seqüência de movimentos conhecida como forma, ainda que, também pode ser usado como um parceiro de treinamento quando você não tiver disponível um colega. Em cada escola de Wing Chun, o número de movimentos pode variar ou a ordem da forma pode ser diferente. Isto não importa, com o decorrer do tempo serão usados os princípios corretos nos treinamentos. O que mais importa são os princípios que envolvem os 108 movimentos, pois quando entender corretamente, fornecerá a você uma quantidade ilimitada de técnicas. O estudante não deve ficar limitado com a idéia de 108 técnicas.

 

A forma do boneco de madeira representa todas três formas de mãos.  Existem algumas diretrizes importantes a serem seguidas pelo estudante na ordem correta de aprender a forma Muk Yan Jong: Primeiro, o estudante nunca deve aprender como fosse um conflito com o boneco ou uso de muita força muscular. Batendo no boneco de forma dura que restrinja seus movimentos bem como evitando machucar-se. Ao contrário, deve fazer os movimentos de um para o outro completamente de forma fluídica com o uso do efeito chicote nos ataques liberando a quantidade de força suficiente, sempre na linha central do boneco. Com o uso de força muscular, irá causar danos aos nervos bem como diminuirá a sensibilidade do corpo. Treinando de forma correta poderá fortalecer os músculos, tendões e ossos.

 

A forma também não deve ser praticada rapidamente, pois isto vai conduzir ao uso excedente de força muscular. O estudante deve aprender a relaxar seu corpo para evitar restringir o fluxo de energia. A mente, também, deve estar relaxada e livre de quaisquer pensamentos externos. Os olhos não seguem o que as mãos e os pés estão fazendo, mas deve olhar diretamente no corpo do boneco, isto vai ensinar o estudante manter o foco no alvo pretendido, bem como aprende a usar visão periférica. Não perder o contato com o boneco entre movimentos, aprende a aderir com seu corpo inteiro, isto é chamado "poder de adesão". A habilidade de aderir melhora muito sua habilidade no Chi Sau (mãos aderentes), exercício mais importante para o praticante de Wing Chun e é usado como um caminho firme para um combate livre. Praticando o Muk Yan Jong, o estudante aprende usar corretamente a distância útil entre si e o boneco e, com isto, aperfeiçoar e corrigir a linha central e a distância para trabalhar sua técnica eficientemente.

 

A forma também pode ser feita com os olhos vendados para aumentar a sensibilidade, fluir a consciência da linha central. Outra maneira é praticar a forma sem o Muk Yan Jong, isto é chamado "Hong Jong" (sombra do boneco), que é praticado no vazio igual como se fosse no boneco. Treinando o Muk Yan Jong nestas diferentes formas o praticante irá melhorar o que já aprendeu no Wing Chun e, com isso poderá unir tudo. O estudante vai aprender e melhorar a coordenação motora, posicionando o corpo como unidade, poder de aderência, fluidez, fluxo de mãos e pernas em completa harmonia! Não se deve decorar a forma, mas treinar muitos anos até o domínio completo.

 

Existem 108 movimentos para o boneco de madeira, a prática repetitiva trará um adequado uso de força. Os passos variam e sempre mantenha o curto contato com o boneco.

 

 

      Após este estágio acima mencionado, há o aprendizado do bastão longo (Luk Dim Bun Gwan) e da faca curta (Bat Zam Dou), armas originadas dos artistas de óperas chinesas, que viajavam e moravam em barcos. Uma vez refinado o CHI ou QI (Hei em cantonese) o indivíduo estará apto a projetá-lo, seja por meio de um bastão (Luk Dim Bun Gwan), de um cabo de vassoura ou de um exemplar de revista.

 

     5º Nível  - A primeira arma do Wing Chun é introduzida nos ensinamentos, o bastão de seis pontos e meio, uma arma longa (aproximadamente 3 metros) e pesada. O bastão, apesar do nome, pode ser utilizado de sete maneiras diferentes, todas diretas e precisamente no ângulo. Os treinos são em dupla, praticando como projetar energia e prever possíveis ameaças. O bastão possui técnicas rápidas, marcantes e poderosas. Cada técnica foca diretamente ao adversário, sem desperdício de movimento. O peso do bastão contribui para melhorar a estabilidade da posição, movimentos corporais, reforçando o poder dos dedos, mãos, punhos, ombros e corpo. Conteúdos associados: Jin Choi; Biu Kwan; Chi Kwan; Kwan Mo Leung Heung.

 

 

LUK DIM BUN KWAN - Bastão Longo

 

      O bastão é considerado a arma mãe no kung fu, sua utilização está ligada aos primórdios da arte marcial chinesa.

 

 

O bastão, luk dim bun kwan tem um formato cônico, com uma extremidade mais grossa em relação à outra, seu peso varia conforme o material, madeira nobre, ou madeira do tipo flexível, porém dura (white oak), ou rattan.

 

As características das técnicas se assemelham as da lança, aliás, para aquela época o uso do bastão era uma forma de não demonstrar, de esconder a possibilidade de que munido de uma vara utilizada para fins sociais (apoio, abrir mata, remo, suporte de balde, etc...) seria manejada de forma mortal.

 

O manejo de bastão de forma tradicional no Wing Chun, utiliza-se de base sólida como a do cavalo, e de bases flexíveis como a do gato e uma própria do Wing Chun, hau ma. A combinação está entre o movimento rápido e forte de perna aliados à cintura e a explosão dos braços, características marcantes no estilo Wing Chun.

 

     6º Nível  - O facão de Wing Chun (faca de 8 cortes ou também conhecida como facas borboletas) funciona como extensão das mãos e utiliza as técnicas aprendidas nas 3 formas anteriores. Na prática desenvolve a resistência dos punhos e flexibilidade. Cada movimento forma cortes e bloqueios em direção ao centro do oponente. Ao contrário do bastão, é uma arma dupla e curta, porém fatal. O significado do nível, que mostra o corte, é o desprendimento com as coisas materiais, ou seja, para evitar sofrimento deve-se viver as coisas do mundo apenas quando elas estão disponíveis. As técnicas, teorias e princípios estabelecidos, podem ser facilmente adaptadas para qualquer arma curta tipo bastãozinho, faca de cozinha ou até mesmo uma espada.

 

 

Bat Jam Do - Espadas duplas do Wing Chun

 

Bat Jam Do significa técnica de oito cortes e é uma arma pertencente as 18 armas tradicionais do kung fu. Conhecida também sob o apelido de faca borboleta, normalmente é utilizada em par, porém também pode ser manejada também com apenas uma peça, como combinando com o uso de outra arma, como por exemplo, o escudo chinês. O desenho das facas borboletas chega a possuir uma variação quanto ao comprimento de suas lâminas, mas, normalmente seguem a medida do antebraço do praticante.

 

 

Como toda arma, a Bat Jam Do necessita ser uma arma feita de material forte, equilibrada, evitando assim o sobrecarregar de força no pulso, o que pode trazer sérias lesões.

 

As técnicas da faca incluem cortes, estocadas, bloqueios semelhantes às técnicas de braço, socos com a faca, técnicas curtas de cotovelo. O ensino das facas no sistema Wing Chun, se dá normalmente como o último estágio, se o treino realmente for sério, se exige muita força de pulso e isto é adquirido através do treino de braço e posteriormente de bastão. Como as técnicas de faca seguem as técnicas de braço, há uma seqüência lógica no aprendizado. Os ombros também acabam sendo exigidos, e quando o aluno não adquire um alto nível de relaxamento nos ombros, o ensino de arma se torna prejudicial. Outro motivo de se ensinar por último é a faca ter um significado muito forte em relação a combate, é uma arma, de corte, o que significa que sua intenção era para matar.

 

 

 

     EQUIPAMENTOS AUXILIARES NO TREINO DE VING TSUN

 

1. Saco de parede
2. Luva de Foco
3. Pilão com grãos
4. Argola para treinamento de Chi Sau
5. Venda para os olhos
6. Boneco de madeira – Muk Yan Jong

 

     Saco de parede - É um equipamento feito de lona, com compartimento central para preencher com material, que possibilite ao praticante sentir o golpe desferido com a mão, podendo ser grãos de soja, feijão ou também com areia, e outros. Este equipamento, normalmente, é utilizado pelo praticante para realizar os treinamentos de ataques com as mãos, pulsos, dedos e cotovelos, integrantes das técnicas do Ving Tsun.

 

 

     O praticante não deve utilizar-se de força bruta ao desferir os seus golpes contra este equipamento para melhor perceber a reação produzida pelos seus ataques, imaginando ser um alvo real. O aprendiz deverá exercitar o movimento correto das técnicas de mãos e braços fundamentais do Ving Tsun, iniciando cada movimento lentamente, focalizando o centro do equipamento, buscando exercitar o trabalho de uso da linha central e ângulo frontal. Prestar atenção ao uso correto dos pontos de energias localizados nas mãos, pulsos, dedos e cotovelos. Inicialmente, o praticante exercita suas técnicas na posição estacionária de pernas Yee Chi Kim Yeung Ma...

 

 

     Segue para o uso de esquiva de corpo Juk Sun Ma, para posição de pernas anterior Hau Ma (esquerda e direita) e para posição de pernas do triângulo San Kwok Ma (esquerda e direita). Na seqüência de trabalho, o praticante poderá desenvolver as técnicas de avanço de estruturas de corpo com uso de passos, partindo das posições de perna anterior Hau Ma (Bic Bo) e da posição de pernas do triângulo San Kwok Ma (San Kwok Bo).

 

     Argola para treinamento de Chi Sau - Um equipamento de muita utilidade para auxiliar os praticantes de Wing Chun entenderem com mais propriedade a técnica de treinamento de aderência dos braços em Chi Sau. O praticante poderá realizar o treinamento com este equipamento quando não tiver um companheiro de treino disponível (sparring) em aula. A argola de Chi Sau poderá ser confeccionada de diversos materiais como o bambu, madeira, acrílico, plástico, mangueira plástica, PVC, e até mesmo de metal (ferro ou aço) leve. O diâmetro desta argola poderá ser de, aproximadamente, 20 centímetros, dependendo de cada praticante, ou seja, do diâmetro dos braços. você observar-se frente ao espelho para fazer as correções técnicas necessárias.

 

 

     MÃOS ADERENTES (CHI SÃO) - Com nossos instintos, nossas mãos movem-se rapidamente para longe de algo que irá queimá-las, automaticamente, enquanto que nossa visão só iria perceber o perigo uma fração de tempo mais tarde. Uma fração de segundo é muito demorada ou muita tarde em situação de combate. Suas mãos possuem uma sensibilidade muito maior que seus olhos. As mãos também possuem movimentos mais rápidos que os olhos. É por isso que os mágicos conseguem realizar muitos de seus truques. Durante a luta, há inúmeros contatos com as mãos e pernas do oponente, e o Wing Chun desenvolveu exercícios de mãos aderentes (Chi Sao) e pernas aderentes (Chi Kir) para o treinamento da sensibilidade.

 

     Uma das técnicas importantes do Wing Chun é a Mãos Aderentes (dito ainda Mãos Coladas ou Pegajosas) onde o praticante adere aos braços do oponente para neutralizar seus ataques utilizando o que os chineses chamam de ponte. O objetivo é atacar e defender ao mesmo tempo, sem chance de defesa para o oponente. É um treinamento dos reflexos e sensibilidade tátil para aprender a detectar, dirigir e utilizar a força do oponente. Ambos auxiliam a desenvolver a idéia de sensibilidade, a qual é dividida em dois passos: primeiramente construir o reflexo correto que compreende – “Força que vem, você redireciona, força que recua, você segue, força que perde o contato, você ataca”. Em segundo lugar, é obter fluência com várias técnicas tais como mãos que aprisionam, conexão baixa do oponente, controle dos pontos de pressão.

 


Yip Man e Bruce Lee treinando Chi Sao

 

     Através do Chi-Sau desenvolve-se a capacidade dos nossos braços se adaptarem aos movimentos dos braços do agressor. Os reflexos de defesa do Chi-Sau são determinados de um modo imediato e mecânico pelo ataque do oponente. Assim, eles sempre se adequam à situação. Os reflexos táteis são, de longe, muito mais rápidos que os reflexos gerados por uma informação visual. O Chi-Sao permite que o lutador se defenda mesmo sem enxergar. Na medida em que você avança no domínio das técnicas, conseguirá realizá-las, mesmo estando de olhos vendados. Em treinos futuros, podem ser em combates livres, os quais treinam a sensibilidade dos olhos.

 

     A melhor técnica do Chi Sao é denominada "um domina dois", onde um braço domina dois braços do companheiro de treino.

 

   Etapas

 

     É importante assinalar que há várias etapas no Chi Sao:

 

 

     Os exercícios de mãos aderentes envolvem a plenitude dos aspectos do Yin e Yang durante a prática. Uma força equilibra a outra. Mas quando um lado tenta sobrepor o outro, o equilíbrio é quebrado. Então, quando um lado tenta desferir um ataque, o outro lado seguirá a energia ou redirecionará a força que vem. Falhar em manter o balanço permite ser atingido ou então em ser apanhado. Mas o Yin e Yang não para aqui.

 

 

     PERNAS ADERENTES (CHI KIR) - Este é um outro conceito em sensibilidade. Wing Chun acredita que tudo que suas mãos podem fazer, as pernas também podem. A partir do ponto que você precisa apenas uma perna para ficar em pé, pode usar a outra para praticar exercício de sensibilidade. Ao realizar os exercícios das pernas aderentes, você pode obter melhores resultados em mãos aderentes. Isto treina seus equilíbrio, posicionamento e momentum (timing: hora certa de fazer as coisas). Aqui estão algumas técnicas em “Chi Kir”:

 

 Wu Kir
• Tam Kir
• Chin Sun Kir

 

 

     LAP SAO (Trapping Hands) = "Mãos que Enganam". No Lap Sau utiliza-se as mãos e braços como "armadilhas" onde, sempre se leva a imobilização ou neutralização dos ataques desferidos com as mãos pelo adversário. Era uma das técnicas preferidas de Bruce Lee.

 

 

     SIMULTANEIDADE - Usar simultaneidade em defender-se de um agressor é obter vantagens em questão de tempo. Diferentemente dos jeitos convencionais bloqueando primeiro e atacando depois. Simultaneidade proporciona a realização de ambos (bloqueio e ataque) na mesma estrutura. Esta teoria exercita seu cérebro no tocante ao controle simultâneo de ambas as mãos, bem como das pernas. É como se fosse antecipar os futuros movimentos do oponente.

 

 

     TEORIA DA LINHA CENTRAL - Seguir a linha central Chun Sien é a mais importante e básica teoria do Ving Tsun. A distância mais curta entre dois pontos é uma reta. Ataques pela linha central deixam os movimentos mais rápidos. Desferir golpes em linha curva (como ganchos ou o swing) pode levar até 2 vezes o tempo.

 

 

     O posicionamento defensivo deste estilo procura manter as mãos atuando sobre a linha central imaginária que percorre o corpo verticalmente. Também na execução de ataques, os golpes são direcionados contra a linha central do adversário, pois é nela que se localizam os pontos mais frágeis a serem buscados através do ataque.

 

     É costume dizer-se que um bom lutador de Wing Tsun luta contra a projeção da sua própria linha central e não contra o adversário. Para poder atingi-lo, o seu adversário terá que, obrigatoriamente, passar através da sua linha central. Se você mantiver a linha central coberta, estará completamente fechado ao ataque adversário e pronto a iniciar a sua própria linha de ataque por dentro da guarda adversária.

 

     Coordenada com a teoria da Linha Central está uma outra forte teoria denominada “target facing”. Isto significa manter-se focalizado em seu adversário a partir de uma distância igual de ambos os lados. Ter ambos os lados a uma mesma distância do oponente significa possuir igual energia e oportunidade para lutar. Entretanto, se você luta com apenas um lado, o outro ficará inutilizado. Quando ambos os lados ocupam a Linha Central, seu adversário será obrigado a lutar em voltas de você.

 

 

     POSTURA ANTERIOR - Esta é uma postura mais eficiente do Wing Chun e funciona como “mirar o alvo”. Possui os ombros nivelados e numa posição intermediária. 80% do peso corporal está na perna de trás, enquanto que a frontal suporta apenas seu próprio peso. A perna de trás funciona como o apoio central de um compasso enquanto que a perna da frente serve para o alcance e é usada como o apoio externo do compasso. A perna da frente pode facilmente mover-se ou redirecionar para seguir com o alvo num movimento de pivô com o calcanhar da perna de trás. Na postura anterior pode-se mudar o ângulo de combate com pouco esforço ou movimento.

 

 

     PERSEGUINDO O ALVO EM “BIC BO” - Este é um movimento muito eficiente de avanço. Caçar o oponente na postura de “Bic Bo” pode ser iniciada a partir da postura lateral ou da postura anterior. Avance um passo com a perna da frente e imediatamente a seguir mova também o pé de trás na mesma distância. “Bic Bo” pode ser repetida inúmeras vezes de uma maneira suave. A vantagem da postura “Bic Bo” é eliminar a troca de peso corporal e movimentos da parte superior do corpo. Por causa da eliminação dos movimentos indesejados, você não precisa preocupar-se com balanço (equilíbrio). Isto resulta em movimentos mais rápidos e diretos. Quando for forçado a mover-se fora da linha central, a variação de técnicas e trabalho de pés o trará de volta ao centro. Retornar para a linha central faz com que possua a melhor postura para defesa e ataques.

 

     Os passos de VT são realmente curtos (ainda que realmente o que é curta é a posição: o passo de saída costuma ser de mais de um metro de comprimento, por que movem-se os dois pés).

 

     A estratégia para combater com um só adversário consta em situar-nos no centro de um círculo imaginário e o adversário na periferia. Nossos ombros e os seus sempre em frente um do outro, por isso é uma posição frontal: se o adversário quer atacar-nos lateralmente, terá que dar vários passos, enquanto que nós só giraremos um pouco o corpo inteiro. Quer dizer, o nosso movimento será muito menor e, portanto, muito mais rápido. Seu objetivo é atravessar o adversário e ficar colado a ele. Procuram-se sempre movimentos que sigam as trajectórias mais curtas e fechar as distâncias para obter o máximo de domínio da situação.

 

     O Ving Tsun enfatiza o treinamento para eliminar os sinais telegráficos do corpo:

 

1. Não incline o corpo quando fizer um bloqueio ou ataque;

2. Não mover o corpo para cima e para baixo quando estiver realizando trabalho de pernas;

3. Não inclinar o corpo para trás quando executar chutes.

4. Use chutes baixos porque chutes altos requerem alteração dos movimentos do corpo. Chutes baixos percorrem um caminho menor.

 

 

     POSIÇÃO LINEAR RÁPIDA - A postura de mãos em guarda mais comum e eficiente no Wing Chun é a combinação do KIU SAO (mão da ponte) e WU SAO (mão protetora). As mãos em guarda têm o formato de uma espécie de cone ou “posição linear rápida”. Esta postura ocupa o espaço de combate no centro e deixa as forças externas se dissiparem para os lados.

 

 

     ILUSÃO DE ÓTICA - Quando o praticante de Wing Chun usa a teoria da linha central com as mãos em posição de guarda, os ataques e bloqueios estão na linha central. Todos os movimentos, para dentro e para fora, estão na linha central. Movimentar pela linha central reduz a análise do oponente de aproximação e distância (profundidade da área de ação). É como olhar para um carro vindo de frente para você. Terá problemas para analisar a velocidade do mesmo.

 

 

     OS SETE PONTOS DE ENERGIA - Wing Chun possui sete pontos de energia (força). Cada qual possui seus próprios grupos musculares para gerar poder. Cada um pode ser usado sem a ajuda dos demais. Mas podem trabalhar juntos para atingir o máximo de força. Por exemplo, um soco a curta distância apenas necessitaria da energia de uma polegada com uma pequena ajuda do cotovelo. O soco pode ser acelerado acrescentando-se a extensão do ombro e o giro do corpo. Um impacto de longo alcance pode ser gerado ao utilizar-se também o trabalho de pés em sincronia com o “timing” do corpo. Abaixo seguem descritos os sete pontos de energia no corpo:

 

1. Pulso   para energia da polegada & técnicas de controle.2. Cotovelo  para energias protetoras & força de alavanca.
3. Ombro  para criar energia de apoio & alcance.
4. Abdominal  para o centro de gravidade & energia dos chutes.
5. Quadril  para esquiva & baixar o centro de gravidade.
6. Joelho  para esquiva & extensão das pernas.
7. Tornozelo  para movimentos & gerar impacto no chute.

 

 

     PROTEÇÃO DAS QUATRO PORTAS - Lutar na linha central é obter o melhor ataque. Proteger a linha central é obter a melhor proteção. Mas, os pontos fracos do seu oponente são os mesmos que os seus. Mantenha os cotovelos próximos da linha central, aproximadamente 15 cm afastados da caixa toráxica. Nesta posição, o antebraço pode mover-se para as 4 áreas (portas) de defesas com o mínimo de movimento. As 4 portas estão divididas pela linha central vertical em lado direito e esquerdo e pela linha horizontal em parte superior e inferior que passa na altura do cotovelo. É igualmente verdadeiro que se obtém a melhor proteção para a parte inferior do corpo ao manter-se o joelho voltado para dentro. Isto aproxima a linha central vertical para proteção onde estão localizados os testículos e as partes mais sensíveis.

 

 

     ATAQUE SOMENTE OS PONTOS FRACOS - Os benefícios de atacar pela linha central é atingir o oponente sempre em seus pontos fracos. Desde a cabeça até os pés, as partes mais fracas do seu corpo estão localizadas na linha central, tais como rosto, garganta, coração (plexo solar), testículos, joelho e canela. Conseqüentemente as partes fortes de seu corpo estão localizadas nas laterais. Assim são os ombros, cotovelos, braços, quadris, coxas e panturrilhas.

 

 

     CHUNG KUEN - O soco do Wing Chun, desferido em linha reta pelo centro, é uma técnica projetada com mecanismo de alavanca e estruturado na teoria do cotovelo para dentro. É um soco especializado que contém um jogo de punho e extensão total do cotovelo, de onde vem o famoso soco da polegada. O poder obtido com o movimento do jogo de pulso para o impacto de uma polegada é a chave para gerar as técnicas de Wing Chun que são executadas principalmente em curta distância. Não há necessidade de inclinar o corpo ou movimentos largos como o “swing”. O conceito de chicotear (jogo de pulso) permite ao praticante atacar ou bloquear através de uma extensão rápida e relaxada de movimentos, e é por isso que as técnicas de Wing Chun começam suaves como o balanço de um chicote, mas duras no final. Soco em Três Movimentos: Combinar a teoria da linha central com a teoria do cotovelo para dentro, possibilita que ataque ou soque pelo centro, mantendo o cotovelo para dentro. Também significa que toda vez que você atacar, também estará protegendo-se. Seu cotovelo trava o antebraço de seu adversário conforme você soca. Ao socar pelo centro, enquanto mantém o cotovelo para dentro, mantém as mãos de seu oponente fora de seu corpo.

 

     O soco de uma polegada é uma habilidade que usa o fa jing (traduzido como "o poder explosivo") para gerar quantidades tremendas de força de impacto em distâncias extremamente próximas. Ao executar o soco de uma polegada, o executante deverá estar com seu punho muito perto do alvo (a distância depende da habilidade do executante, geralmente de 0-6 polegadas). " Então em um estouro explosivo de energia, os pés enraizam, o quadril encaixa, os ombros expandem e o braço estende até o alvo. É crucial que o movimento inteiro do corpo seja uníssono, ou o poder de explosão será limitado. O alvo varia em determinadas demonstrações. Às vezes, um voluntário segura uma lista telefônica na altura do peito, outras vezes, placas de madeira podem ser quebradas. O soco de uma polegada foi trazido ao conhecimento popular no ocidente por Bruce Lee, quando demonstrou a técnica durante Torneio Internacional de Karatê de Long Beach.

 

 

     CRÍTICAS AO SISTEMA - A teoria é interessante. O problema é que na prática a coisa toda tende a cair como um castelo de cartas...

 

     O jogo de pés do Wing Chun é muito "arrastado", isto é, os pés são retirados o mínimo possível do chão, para manter a base do lutador. Ainda, o jogo de pés visa apenas impelir o lutador para frente, de encontro ao adversário, para manter a pressão constantemente.

 

     Para começo de conversa, muitos dos golpes mais interessantes em uma luta de contato NÃO são retos, são circulares. Posso oferecer como exemplo o soco cruzado e o chute circular na coxa: ambos são golpes fortíssimos que realmente servem para finalizar um confronto, como muitas lutas de Vale-Tudo e de boxe podem demonstrar. Os golpes "retos", como o jab e o soco do Wing Chun, são úteis para manter o adversário afastado e apenas eventualmente para nocautes. Neste sentido o Wing Chun é extremamente deficiente.

 

     Ainda, o jogo de pernas do Wing Chun é, para ser franco, calamitoso. O praticante simplesmente não aprende a se movimentar para os lados ou em círculos, de forma que ele fica praticamente indefeso quando não está lutando em um corredor apertado! Um movimento circular, um golpe cruzado, e a pessoa está no chão...

 

     O soco do Wing Chun também é uma má idéia. Sim, é possível aprender a gerar bastante força com este golpe, mas isto leva MUITO tempo, e o soco em si não é bom - o mecanismo de geração de força exige que a pessoa mova o tronco inteiro como um bloco, inclusive dando um pequeno passo adiante, e NÃO utilize o ombro. Francamente, um jab tem o mesmo efeito, é mais fácil de aprender, é naturalmente mais forte, e pode ser utilizado de diversos ângulos. O soco do Wing Chun é útil como um golpe secundário, mas não como um elemento essencial de um sistema de luta.

 

     O próprio Bruce Lee ficou famoso por ABANDONAR o sistema de socos do Wing Chun e adotar o sistema do boxe ocidental, por ser muito mais eficiente.

 

     Por fim, o sistema é desenvolvido através de estágios, marcados por formas - três formas de combate desarmado, duas formas de combate armado. O problema é que este método de ensino modular significa que você não sabe como o sistema deve funcionar até terminar as formas, isto demora anos, e neste meio tempo você não sabe fazer muita coisa! Isto implica em um atraso do aluno.

 

     Ora, em bons sistemas de luta, como o Karate Kyokushin e o Muay Thai, o aluno pratica desde o primeiro dia as técnicas e os movimentos que utilizará durante toda a sua carreira como lutador. Não há fases de aprendizado que mudam radicalmente o sistema de luta do aluno.

 

     O Wing Chun não é um sistema feito para ataque, e sim para defesa. Uma das primeiras coisas que se aprende é usar a força do adversário contra ele mesmo.

 

     Como o Wing Chun é um sistema que visa utilizar a força do oponente contra ele, o ponto alto do Wing Chun é o contra-ataque, e não o ataque. Um bloqueio normalmente não será usado separado de um contra-ataque. Se você bloqueia, você ataca em conjunto com o bloqueio, seja ele um bloqueio simples ou duplo. Também é bom lembrar que muitos bloqueios já são ataques por sí só! como o bloqueio contra chutes (chute bloqueando chute) e também socos que bloqueiam socos.